O RÁDIO ESTÁ DOENTE: E VOCÊ PODE TER CULPA NISSO

ARTIGO ESCRITO E PUBLICADO NO SITE: WWW.TUDORADIO.COM AUTOR: JOÃO CARLOS PRADO – JOCA RADIALISTA LOCUTOR ADMINISTRADOR DE EMPRESAS , CONSULTOR E PRODUTOR DE EMISSORAS . EX-TRANSAMÉRICA , JOVEM PAN E 98 FM DE SANTOS\SP E EX-COORDENADOR ARTÍSTICO DA MANIA FM 89,7 - UBERLÃNDIA-MG – E-mail :jcplocutor@hotmail.com “ Na sua boca eu viro fruta Chupa que é de uva Chupa, chupa Chupa que é de uva...” Chupa que é de Uva – Aviões do Forró. “Senta que é de Menta, Senta que é de Menta Tchaca Tchaca, Vuco - Vuco, Será que você agüenta ? ... Hoje eu vou fazer um Big - Brother Funk, Forró e Pagode Lá Dentro do meu apê Só eu e você Vai ter BBB Hoje a minha cama é um paredão, sem anjo, sem salvação E eu já indiquei você Vou botar pra descer, vou botar pra descer ...” Senta que é de menta – Cavaleiros do Forró. (*) Nada a comentar ... o meu estômago embrulhou ... O RÁDIO ESTÁ DOENTE: E VOCÊ PODE TER CULPA NISSO
O assunto pode assustar, mas é sério. Tão sério quanto a primeira coluna que escrevi tempos atrás para este fantástico site sobre a crise nas FM’s aqui em Uberlândia/MG. O que antes era algo quase irrelevante, hoje já movimenta inúmeras discussões entre profissionais e ouvintes da região. Mas, aquilo que tinha apenas aspecto local, se juntou a um fenômeno nacional ( pra não dizer uma catástrofe ) de consequência altamente preocupante : estão matando o radio brasileiro. O que antes era desconfiança, depois de algumas pesquisas realizadas e análises de outros especialistas em radiodifusão, passou ao efetivo temor que me fez assumir a postura de deixar o campo teológico de lado e partir para uma ação mais efetiva e contundente para cobrar responsabilidades de todos os setores envolvidos direta ou indiretamente nos destinos da radiodifusão brasileira. É visível a queda de importância do radio no cotidiano das pessoas, seja pelo avanço da tecnologia, que deveria ser um aliado do radio e não um inimigo, quanto ao desinteresse cada vez maior do público pelos formatos uniformes e previsíveis atualmente executados, que buscam padronizar públicos distintos e excluir quem não se enquadrar nisto. É hora de cada um assumir a sua responsabilidade, deixar o ego de lado e preservar um dos principais veículos que melhor representa e acompanha a sociedade brasileira. Gravadoras: Antes, um divulgador e promotor de talentos variados. Hoje, em nome do controle de custos, resumem o casting a pouquíssimos artistas, todos devidamente batidos e misturados em liquidificador e distribuidos para rádios de mesmo formato ( algo cada vez mais comum ), e estrangulando outras que busquem outro segmento, tornando-se inviáveis. Artistas: Com o tempo, acabam cada vez mais mansos e omissos como cordeiros frente às gravadoras, quando exigem inspiração artística, no mesmo ritmo de uma linha de produção, senão serão tratados como um “fora de linha”. E haja jabá nas rádios pra manter na prateleira produções de qualidade tão duvidosa. Não tem ouvinte que resista. Mídia e Marketeiros: O rádio é a casa do artista. É lá que ele tem os primeiros contatos com o grande público. Mas hoje ele é o quintal da televisão e até da internet. Primeiro investe-se em qualquer fator polêmico e visual que desperte interesse comercial onde a questão musical torna-se meramente secundária. Vendeu na televisão e na rede? Toquem 10 vezes por dia no rádio. Produtores musicais e de eventos: Cada vez mais os produtores musicais plastificam artistas promissores, apenas para enquadra-los “nos moldes do mercado” e serem a nova sensação de consumo no rádio, mesmo que isso sacrifique o seu talento. E dentro desta filosofia, os produtores de eventos resolveram inverter os papéis e passaram a exercer influência e comando sobre muitas emissoras, provocando inúmeras ingerências e bobagens. Para estes a ordem é: Rádio é feita para fortalecer o evento , e não o contrário. Proprietários : É difícil, para a maioria destes, entender que é dono de algo muito mais complexo do que um boteco. Existem dois públicos para atender, o consumidor e o anunciante , nesta ordem. E entre eles está a comunicação, o entretenimento, e muitos fatores emocionais que fogem do entendimento de quem só sabe enxergar cifrões. Ninguém, em sã consciência, liga um radio somente para ouvir os comerciais. Trabalham para ganhar muito dinheiro, mas ignoram que é no investimento no fator humano, e não na tecnologia pra cortar despesas com pessoal, que reside o sucesso de público , de mercado e financeiro. Grandes Redes de Radio: Mesmo com a sua grande contribuição para o rádio na qualidade e na tecnologia, as grandes emissoras, principalmente as jovens, pecam ao subestimar a inteligência do seu público. Em tempos de independência e interatividade, onde cada vez mais usam o mp3 player e a internet, por que insistem no famoso e restrito formato “Top 40” ( até em flaskbacks ) ordenado pelas gravadoras para fazer a programação diária de uma rádio? A maioria dos hd’s caseiros possuem mais músicas do que isto. Acabam descartando e reciclando público rapidamente e demonstram que não sabem o que fazer com o público que conquistou ao longo dos anos. Identidade não tem idade. Gerentes de emissoras: Nesta conjuntura, está mais fácil ver as rádios serem dirigidas por gerentes de supermercado do que por radialistas. Estes são responsáveis diretos pelo grande balcão de acordos comerciais e políticos que virou o rádio brasileiro. Pasmem, mas é comum, nos tempos atuais, encontrar rádios que deixam de lado as ações básicas de proximidade com o público e os anunciantes e usam como seu medidor de viabilidade econômica o público e o faturamento em shows promovidos pela emissora. Ficam tão perdidos e famintos por resultados à curto prazo que acabam construindo rádios desfiguradas, onde juram que são capazes de unificar públicos, gostos e bolsos tão heterogêneos, como se fosse uma grande gôndola de supermercado. Aliás, qual é o problema em haver públicos diferentes? Se não tem foco em um público, como podem atingí-lo?
Escrito por José Eudo às 11h16
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